terça-feira, 20 de novembro de 2012

Por favor, aceitem a simplicidade e o minimalismo alheios!

Gente, 

Estou meio virada ao contrário hoje (e meio irritada e frustrada) e deu um desejo de ser franca, sabe? Então lá vai:

Aceite a simplicidade, o minimalismo, o estilo de vida e as decisões pessoais alheias. Se elas te fizerem mal, se piorarem sua vida diretamente, aí sim, argumente, brigue, se defenda. Agora, se o único "mal" que essas decisões geram para a sua vida é um pouco de desconforto, uma certa indignação por alguém ter escolhido que não precisa de algo que você acha essencial ou um ímpeto irresistível de suprir as necessidades que você supõe que os outros têm mesmo após eles terem dito que não precisam de nada, aí, se controle. Mas se controle mesmo (!) e não seja chato ou insistente, porque você pode estar de fato gerando um problema enorme na vida dessa pessoa sem saber (ou ela simplesmente está te achando chato e desrespeitoso). Então, nada de jogar calça jeans rasgado do filho no lixo. Nada de dar uma cafeteira chique pro marido que jura que prefere usar o bule de café de metal velhinho mesmo. Nada de tentar convencer vegetarianos de que eles estão perdendo uma grande coisa por não consumirem carne. E por aí vai, vocês me entenderam! Dizer o que pensamos, poder criticar alguma coisa, ok, mas torrar a paciência, insistir mesmo após várias negativas, isso é muito chato!

Uma dica: acredite nas coisas que as pessoas te disserem a respeito delas mesmas. A filha falou que "não quero festa de aniversário"? Não faça festa! A esposa disse que tudo que ela realmente quer nesse fim de semana é que você a ajude a pintar o quarto?  Leve a sério, isso é TUDO QUE ELA REALMENTE QUER. Alguém te disse que tem pavor de tirar sangue? Acredite e não fique fazendo piadas desagradáveis sobre isso. Não existe uma só maneira de viver, de ser feliz, de fazer as coisas, de levar a vida. Alguns querem ganhar salários astronômicos e comprar as coisas mais modernas que existem. Outros só querem ter bons relacionamentos e estar em paz, mesmo com uma xícara com a alça quebrada. E não, nem todo mundo precisa de outra xícara com a alça inteira, muitas pessoas estão genuinamente felizes assim e vão ficar muito chateadas e se sentir invadidas se toda vez que um prato lascar vier alguém com um jogo de pratos novos! 

Mas Marina, por que tudo isso hoje, assim, agora? Ah, porque às vezes cansa, sabe? Às vezes você só quer viver sua vidinha em paz, com as decisões que você já fez, do seu jeito, tranquilamente e aí surge uma galera cobrando mais e mais e mais e mais... uma casa maior, um carro melhor (com ar condicionado, 4X4, com bancos de couro...), mais roupas, mais sapatos, pelo menos um livrinho... E gente, não tem coisa mais exaustiva do que ligar para uma serralheria e pedir um orçamento de grades simples e ter que praticamente se defender das pessoas querendo te vender coisas multi-modernas-digitais-eletrônicas-mais-bonitas-e-duráveis. E se eu não quiser nada durável? E se eu não tiver grana pra isso? E se eu nem quiser ter grana pra isso? E se tudo que eu desejo for simplesmente que o serralheiro me passe o orçamento, como eu pedi, sem dividir em mil prestações pra eu poder fazer mais coisas (coisas que não são importantes pra mim)?  

Então, minha "dica" de hoje, proveniente do meu mau humor e da sensação de solidão e incompreensão é: acredite, aceite que existem pessoas que não querem tudo isso. Ou querem, mas não podem ter e nem por isso querem ganhar de presente ou de brinde. E o mais legal: é bom isso, da gente poder escolher o que é PRIORIDADE na nossa vida e, por esse motivo, abrir mão de outras coisas. Se eu decido que a minha prioridade é ter tempo e não coisas pode ser que eu escolha um trabalho que paga menos mas que me dá mais prazer. Pode ser que por causa dessa escolha eu não possa... sei lá... trocar o carro com tanta frequência. Mas tudo bem, porque eu estou fazendo isso por um motivo excelente e fazer isso me dá uma sensação de estar conquistando algo. Então, não me falem sobre bancos que parcelam em mais vezes com taxas de juros menores, porque a verdade é que eu não quero trocar o carro, eu escolhi outras coisas e por causa das minhas escolhas não vou trocar o carro e tudo bem. Estou dando exemplos bem clássicos, mas vocês podem substituí-los pelos que quiserem!

Além de tudo que escrevi, convido os minimalistas e adeptos da vida simples e frugal a não tentarem impôr seu estilo de vida a ninguém. Não somos donos da razão, ninguém é e para algumas pessoas menos é menos mesmo, né? Claro que quando a gente aprende algo que melhora nossa vida e nos auxilia em nossa busca por mais felicidade, paz e alegria a gente quer compartilhar e ensinar isso para as outras pessoas. Então, podemos falar sobre, podemos delicadamente sugerir algumas coisas... mas ao percebermos que corremos o risco de nos tornar inconvenientes, vamos parar, vamos nos recolher. Porque se tem gente enchendo o saco pra gente comprar coisas isso não nos dá o direito de encher o saco dos outros para destralhar, por exemplo. Respeito. A gente sempre assume que respeita os outros, mas será que é bem assim? 

Convido a todos a falarem sobre essas saias justas enfrentadas com pessoas com quem se relacionam (amigos, família, colegas de trabalho, etc) e contarem alguma situação desse tipo que já tenham vivido ou que seja recorrente em suas vidas. E fiquem tranquilos, que se alguém discordar do que eu escrevi, esse é um blog público e quem tá na net é pra se molhar!

Abraços, 

Marina

12 comentários:

  1. Que belíssimo texto, Marina! CLAP! CLAP! CLAP! CLAP!

    Bom, comigo acontece de me dizerem que não sou "minimalista o suficiente", seja lá o que isso quer dizer, e por isso mesmo nunca me identifiquei como minimalista - mas ontem li um post muito bom a respeito e vou parar de fugir do termo "minimalista".

    No outro extremo, acontece de me dizerem "mas você vai acabar ficando sem nada!" ou "por que você não aproveita que tem espaço e faz um closet gigante?". Esse tipo de comentário não me ofende, é quase como se eu não ouvisse.

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  2. Disse tudo! Tem gente que não se conforma com o viver com o pouco. Ou que de repente eu saia doando tudo que sobra. Até mesmo a louça despareada (desculpe, mas eu preciso de uma xícara com asa para ser feliz rsrs)

    O mais importante é: respeite meu espaço, minha vida. Não dê palpite. Se pago minhas contas, vive como quiser!
    Bjs

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  3. Concordo, só não entendo a irritação... será porque ouviu críticas ao minimalismo e derivados. Aliás, seria o minimalismo gênero ou espécie?

    Eu não sei onde poderia ser "enquadrada", talvez um pouco de tudo e nada ao mesmo tempo.

    Acho que cada um cria suas definições e se encaixa onde quer né.

    Não sou viciada em compras, inclusive diariamente minhas colegas debocham muito de mim dizendo coisas como "ih, desiste, pra ela nem dizendo que baixou de R$ 100,00 para R$ 1,00 vai adiantar, ela vai começar a dizer -é, mas tem que ver (e passará a dar sermão), melhor oferecer para Carol" (outra colega, essa viciada numa compra). Quando me falam isso já falam rindo e eu tb acho engraçado.

    POR outro lado, não dispenso um ar condicionado, sou iphone e blackberry maniaca, sou meio viciada em tecnologia tipo o seriado do tbbt, embora agora ignorando "novas gerações" dos meus aparatos.

    Minha casa não é um acúmulo de coisas, já foi, agora está melhor embora ainda tenha o que arrumar, então sei lá, não tenho categoria pois apesar de ser bem resistente em algumas coisas em outras não sou. Mas não sou dessas que não aguenta com um carro, que mal termina de pagar e já precisa de outro e etc. Comprando bem, e o meu bem inclui certas coisas, sempre incluiu como ar condicionado(e desejaria um 4x4 viu..rs), dai não se tem a necessidade da troca, ao menos eu não tenho.

    Bem, mas isso tudo só pra dizer que por não pertencer a nenhuma "categoria", embora com leves tendências à um minimalismo talvez , concordo que é chato tanto quem fica insistindo para comprar coisas que não queremos (daqueles chatos mesmo) quanto quem tenta te induzir a tal coisa do tipo venda a casa e vá morar numa cabana, com uma fogueira para fazer um peixe que pode pescar.. (tá, exagerei, mas seria para deixar bem específico um exagero). Se a pessoa quer, ela buscará. A insistência é uma coisa bem irritante.

    Eu não faço campanhas em pró de nada e nem contra nada. Já "sofri" campanha tentando me convencer que uma vida mais ecológica é legal, do tipo trocar carro por bicicleta. Sinceramente respeito quem assim pensa mas eu penso o contrário e vou seguir fazendo o que considero certo. Mas se a pessoa tenta me convencer me irrita. Quer dizer, irritava, hoje deixo falando sozinha (o).

    Pra mim na verdade é uma escolha. Eu escolhi que não quero bagunça, não quero tralhas, não quero preocupação em pagar alguma porcaria em parcelas à perder de vista, prefiro mil vezes não ter a coisa à ter todos esses problemas. Agora não dispenso uma coisa boa só para ter algo mais simples, isso não. E também gosto de viajar. As mesmas colegas que debocham que não caio nas tentações que elas são viciadas ficam dizendo que "enriquei" quando falo que fui ou quero ir para tal lugar. Pena o "enricar" não ser verdade :( mas se fosse seria do mesmo jeito que é hoje. Mas para não perderem a piada estávamos falando o que faríamos nas férias forenses. Eu disse que queria ir para o el calafate. Elas ficaram "ohh" e depois lamentaram dizendo que eu não traria nada pra elas, e propuseram trazer uma pedra. Outra disse que eu não traria nem isso. Na verdade nós morremos de rir com isso e essa parte é boa, com ambos se respeitando em não querer impor nada, só fazendo saudáveis deboches..rs para uma colega festeira e super consumista eu falo "tu só tem uma festa essa semana? tá doente?" ou "vai numa loja só? o que te deu?" ou coisas assim e ouço aquelas coisas, até que nem o vampiro do crepúsculo me convenceria a comprar..kkkk uma ressalva, acho que dependendo do dia ele até conseguiria..rs :)

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  4. Acho que tudo esbarra no respeito ao outro, às escolhas, aos desejos, à personalidade do outro.
    Se já é difícil aceitarem que o outro tem uma cor de pele diferente, uma textura de cabelo diferente, um corpo diferente, ou seja, coisa palpável, imagina no ramo das idéias.
    Aceitar que alguém possa muito bem ser feliz sendo diferente da gente, seja consumindo pouco ou consumindo tudo o que vê pela frente é um exercício de respeito e tolerância e ainda estamos engatinhando nisso.
    Desejo muita paciêncioa para lidar com pessoas obtusas.

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  5. Oi, Marina, tudo bem ? Esse post acho que foi um desabafo seu pois imagino que deve acontecer pressões e cobranças para um modo de vida em que todo mundo pensa que é o ideal é ser igual...parece que há um modelo pra tudo e o que foge disso incomoda as pessoas.Paciência.Bjos. Lourdinha.

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  6. Marina,
    já me senti como você! Irritada por quem queria dar palpite no meu modo de viver. Tenho uma vida simples, gosto que ela seja assim. Não uso marca, não sei como anda a moda, minha casa confortável para mim e minha família, não tenho nem terei o carro do ano - é somente um veículo que me leva de lá para cá - não tenho o último lançamento em celular e nem terei, e vai aí por diante. No começo tentava me explicar, colocar minhas razões, hoje sou grossa mesmo:"Sou eu que pago minhas contas, não pedi sua opinião" Tudo bem que eu já estou na idade que as pessoas esperam que logo logo vou ficar gagá, kkkk
    Sempre corto fornecedor querendo o "melhor" para mim, com o do seu portão, no último que veio fazer um rejunte na minha pia de cozinha - que é enorme - teve o desplante de dizer que eu deveria trocar a pia (com 3 anos de uso) por uma menor, pois ganharia espaço na minha cozinha, perguntei: "O senhor está se candidatando a ser minha cozinheira? Desculpa mas só contrato chef com Cordon Blue." Fez o que tinha que ser feito caladinho.
    Ser meio grossa de vez em quando não faz mal nenhum com quem se mete onde não é chamado.
    bjs
    Jussara

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  7. oi Marina
    desde que resolvi aderir ao ano sem compras e comecei a destralhar, quando comecei a comentar com as pessoas ,comecei a ouvir expressões de pena... claro que eu to passando por um momento de pouca grana, mas não foi só por isso, e não pretendo sair gastando loucamente quando mais grana voltar a entrar, simplesmente pelo fato de que estou achando ótimo ter dinheiro sobrando pra fazer as coisas que eu quero, como viajar, estudar espanhol, etc.
    a minha mãe é uma que adora destralhar coisas dos outros. ela é mestra em jogar fora coisas que são minhas (das poucas que sobraram na casa dos meus pai no interior) e de vez em quando tenta fazer isso até aqui em casa mesmo...affe...
    eu vou parecer elitista babaca, mas acho que isso tem um pouco a ver com a cultura brasileira também, sabe? o brasileiro não se controla, tem uma dificuldade - mesmo os paulistas, que são mais reservados que os cariocas, por exemplo - de respeitar as escolhas alheias, de respeitar a individualidade do outro. me pergunto se em lugares como a Alemanha, alguém ia dar alguma bola pra suas escolhas de comprar mais ou menos, ou de adotar um estilo de vida diferente do mainstream... acho que não.
    siga em frente!
    nós, destralheiros, minimalistas, frugalistas ou seja lá qual for o nome, estamos com você!

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  8. Ai que desabafo bom de ouvir!!
    COncordo em gênero, número e grau e tem dias em que me dá vontade de nunca mais coversar com ninguém só para não ter que ouvir tudo aquilo que eu TENHO QUE fazer/ter/comprar.
    O que eu mais ouço é:Noooosa, mas por que vocês não compram um carro?
    Mas por que vocês não tem um filho?
    Vocês tem que comprar uma casa!!
    Você vai ver, tudo se ajeita!!

    Cara que saco...eu já sei exatamente o que vou fazer e quando e detesto esse tipo de palpite e de gente palpiteira.

    Bjss fica com Deus

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  9. Oi Marina,
    Conheci o blog a pouco tempo e estou amando! Tem muita coisa que eu me inspiro para poder adquirir esse novo estilo de vida (uma vida mais simples e que dê prioridade as coisas que realmente importam). Tenho aprendido muitas coisas aqui, e não consigo parar de ler. Parabéns pelo blog!

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  10. Logo se vê que você está passando por problemas com obras ou reformas. É assim mesmo, uma empurração de coisas sem fim. Já tentaram me empurrar até grama! placas de grama. Como eu estava saindo de casa a pé, o que é raro no lugar que moro, falei que eu era só empregada e ia falar com a patroa. O cara vende grama, vendeu as placas para o vizinho e a grama está passando para o meu terreno também, de graça.Viva a Mãe Natureza. Daqui a pouco eu vou é vender grama também.

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  11. Eu não como carne vermelha. Não gosto, simples assim. Mas sempre tem um chato pra vir encher o saco e dizer que "não é possível alguém não gostar de carne". Que preguiça!

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  12. Parabéns, Marina. Exelente. Já senti a mesma indignação a qual você está sentindo. Só que, no meu caso, a 'apurrinhação' que sofri foi do meu ex-namorado. Vou compartilhar com vocês minha experiência relativa ao tema...
    Sou executiva em uma empresa multinacional, ganho um salário realmente muito satisfatório, mas, no entanto, gosto de ter única e exclusivamente os bens materiais os quais realmente julgo serem fundamentais em minha vida. Poderia ter, pelo menos, uns 5 ou 6 carros na garagem, mas não tenho NENHUM; poderia ter a mais moderna das televisões: de plasma, LCD, com acesso à Internet, de 'trocentas' polegadas e etc., mas tenho apenas uma TV bem simples, comprada em 2006 (que funciona perfeitamente bem); poderia ter milhares de sapatos de salto alto, pois os adoro, mas, no entanto, tenho apenas 3 (sim, 3); e por aí vai...

    Gosto de ser assim, minimalista, mas não se engane, sou uma pessoa extremamente sofisticada, tenho roupas de marca, óculos escuros de grife e etc. Porém, tenho-os somente na quantidade do que julgo necessário. O melhor exemplo para ilustrar o que estou querendo dizer é o meu telefone celular. Veja bem, Marina, eu não gosto de tirar fotografias, raramente acesso à Internet e não tenho carro. Portanto, pergunto-lhe: por que eu deveria comprar um telefone celular com camera fotográfica, com acesso à Internet e com GPS?

    O que mais me irrita é que muitas pessoas confundem minimalismo com pobreza ou com simplicidade. Simplicidade é uma característica individual e intrínseca que algumas pessoas têm. O minimalismo, por sua vez, é uma filosofia de vida que visa termos somente aquilo que nos é necessário, e isso visa simplificar a nossa vida, e não necessariamente a nós mesmas enquanto seres humanos, entende? Uma pessoa minimalista não é necessariamente uma pessoa simples, mas sim uma pessoa não-materialista que visa simplificar a sua vida, e não a si mesma.

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